Pubarca precoce – tem risco?

Pubarca precoce é o surgimento de pelos corporais na criança antes da idade mais adequada, ou seja, antes dos 8 anos em meninas e antes dos 9 anos em meninos. Isso ocorre por uma maturação acelerada de uma região da glândula supra-renal, que é uma glândula endócrina localizada em cima dos rins e que produz diversos hormônios. Quando a chamada zona reticulada da supra-renal amadurece antes do início da puberdade , a criança passa a apresentar aumento dos hormônios andrógenos produzidos nesta glândula, que causam odor axilar, acne, pelos pubianos e axilares. Nesta situação, o endocrinologista vai descartar algumas condições antes de bater o martelo de que é de fato apenas uma pubarca precoce:

  1. Em primeiro lugar, vai avaliar se não é uma puberdade precoce verdadeira
  2. Depois avaliará se há outras fontes de produção dos hormônios andrógenos:
  • Exposição a hormônios transdérmicos de outras pessoas
  • Doenças como a hiperplasia adrenal congênita, que, devido a um defeito de uma enzima da glândula, geram acúmulo de hormônios andrógenos
  • Tumores ou outras lesões que produzam andrógenos

Depois de tudo isso, em geral a conduta é acompanhar a criança. Um estudo bem recente do European Journal of Endocrinology procurou avaliar se haveria outros riscos no futuro em crianças que tiveram pubarca precoce. Já existiam alguns dados sugerindo que estas crianças tinham maior risco de obesidade, resistência à insulina e alterações de colesterol, mas este estudo se aprofundou em riscos cardiometabólicos. Para tanto, foram avaliadas 30 mulheres com pubarca precoce, que foram comparadas a 41 mulheres com puberdade normal. As mulheres com pubarca precoce tinham uma tendência a ter maior obesidade, e tinham níveis maiores de insulina. Isto gerou um escore de risco aumentado para síndrome metabólica. No entanto, não houve aumento da espessura da carótida ou outros sinais precoces de risco cardiovascular.Embora estes dados não acrescentem muito em relação aos riscos, destaco aqui que são dados com pacientes ainda jovens. O ideal na pubarca precoce é manter um seguimento adequado e vigilância para riscos futuros!

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